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Justificativa

 JUSTIFICATIVA

       
       Segundo Simone de Beauvoir (1990), o grau de civilização de uma determinada sociedade pode ser medido pelo tipo de tratamento dispensado a seus velhos. Se em algumas sociedades do passado os idosos foram tratados de modo até cruel, é bem verdade, como assegura essa pensadora, que em outras eles desfrutaram de carinho e respeito. Se quisermos alcançar a modernidade e o desenvolvimento certamente teremos não apenas que amparar a infância e a juventude, mas avançar muito nas políticas de atendimento à velhice.
        Entre as instituições, governamentais ou não, que direta ou indiretamente tem responsabilidades, maiores ou menores, no que tange ao atendimento das necessidades dos idosos está, sem dúvida, a Universidade. Essa, por sua vez tem como função, a priori, a formação de profissionais competentes para atuarem tanto no campo da geriatria, como da gerontologia, e, ao mesmo tempo incentivar estudos e pesquisas sobre o envelhecimento humano. Outra função bastante influente refere-se a prestação de serviços à comunidade, no caso específico a comunidade de idosos, clientela que vem ganhando alta visibilidade no cenário social, por meio das mais variadas formas e estratégias de atuação.
        À Universidade, instituição responsável pela formação acadêmica e profissional dos seus alunos, competiria a função de incluir, como bem ressalta a Lei 8.842, no inciso III, na letra c, a gerontologia e a geriatria como disciplinas curriculares nos cursos superiores, para que mais pessoas tomem conhecimento das questões que envolvem o envelhecimento, podendo servir também de auto-conhecimento, bem como especialização em cursos de formação profissional mais diretamente relacionadas com o processo, tais como as áreas de ciências biomédicas, ciências humanas e educação. Essa reformulação demanda projetos especiais e mais complexos, desenvolvidos a médio e longo prazo, pois essa reestruturação interfere nos currículos dos diferentes cursos devendo ser assumidos pelas respectivas áreas.
        Entretanto, quando se trata de prestação de serviços à comunidade, é possível se pensar em propostas imediatas e de aplicação em curto prazo capaz de trazer benefícios concretos à categoria social representada pelos idosos em diferentes aspectos de suas vidas. Por esse intermédio pode-se levar os indivíduos a conhecerem melhor sua própria condição, tanto nos aspectos de saúde física e mental, situação sócio-econômica, cultural, de lazer, etc, assim como lhes abrir perspectivas de organização política com vistas à defesa de direitos já conquistados e de lutas para obtenção de outros.
        Na perspectiva de um envelhecimento bem-sucedido, não há como negar os benefícios da prática regular e moderada da atividade física, pois ações ligadas à adoção de ritmo de vida mais ativo, diretamente relacionado à exercícios corporais favorecem, em última análise, melhoria da autonomia, da saúde física e psicológica, do bem-estar geral do idoso, auxiliando, na maioria das vezes a reconhecer-se como Ser singular.
        Acreditando nessa proposta de atuação e nas potencialidades dessa clientela, a Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia vêm desenvolvendo desde 1989, um amplo programa de atividades físicas e ações recreativas que atende todo o município e, têm como metas proporcionar o bem-estar físico, social e emocional dos participantes. Também compõem nosso quadro de intenções utilizar esse espaço para a pesquisa bem como preparar recursos humanos, com embasamento teórico-prático para o trabalho com idosos. Além das atividades desenvolvidas no próprio Campus, propomos um trabalho com cinco Instituições de Longa Permanência para Idosos para um atendimento mais específico e adaptado aos velhos mais fragilizados (idade variando entre 60 e 108 anos). Todos os núcleos já existentes e, ainda, os que estamos propondo realizar neste projeto atendem pessoas da Terceira Idade com situação sócio-econômica baixa ou mesmo, deficitária. Entretanto, esse é o nosso compromisso profissional.
        Por acreditar que a atividade física e o movimento espontâneo são realidades indissociáveis e que se realizam harmoniosamente, é que se propõe o desenvolvimento desse projeto, no qual os idosos possam realizar a mais pura expressão da vida. Para tal, busca-se através da recreação e das atividades físicas, reeducar a população para a valorização do seu desempenho e de suas potencialidades em todos os segmentos: psíquico, social, político e econômico. Estas atividades favoreçam a descontração e propicia a todos, momentos de liberação, de cooperação, de interação, de criatividade e de aquisição de conhecimentos, contribuindo em muito para a vida em grupo.
        Enfim, por acreditar que o requisito fundamental para uma boa velhice é a preservação do potencial para o desenvolvimento do indivíduo e, que este pode ser estimulado e aprimorado dentro dos limites de plasticidade individual permitida pela idade e estabelecida por condições individuais de saúde, estilo de vida e educação, é que se enquadra uma proposta de atuação como esta – a conquista da longevidade, da velhice bem-sucedida com verdadeira qualidade de vida.