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Introdução

 INTRODUÇÃO

 
Não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar. 
[Thiago de Mello]
 
        O tempo é um fator decisivo na transformação da realidade, da sociedade e do próprio homem. A velhice surge, atualmente, como uma vitória sobre o tempo – tempo que se transforma em longevidade.
        Neste final de milênio são muitos os desafios que povos e governos enfrentam para a construção de uma sociedade mais humana e igualitária. O fenômeno universal do envelhecimento das populações, decorrência do aumento do tempo de vida, tem colocado na ordem do dia a questão dos idosos e dos aposentados. Embora a longevidade constitua uma notável conquista da ciência (processo inevitável e irreversível), todas as pessoas sensatas são unânimes em afirmar que mais importante do que ter a existência prolongada é envelhecer com dignidade e qualidade de vida.
        A população idosa que até então consistia em uma minoria e era preterida em função de outras faixas etárias, passou a ser alvo de preocupação e atenção por parte dos governos de vários países, estudiosos e pesquisadores. Essa emergente e preocupante realidade exige busca de solução imediata dos profissionais de todas as áreas, pois diferentes são as necessidades desse segmento populacional que nas últimas décadas vêm se avolumando aceleradamente. Sabe-se que cada vez mais uma parcela desses sujeitos está envelhecendo com maiores condições sócio-econômicas, e, portanto estão também buscando dar novo sentido e significado à essa nova etapa do curso de vida. Nesse sentido, as diferentes concepções que orientam esse novo contexto, juntamente com a implementação de novas linhas de ação estão redimensionando o olhar sobre o processo e, criticamente, ampliam e complexificam o campo de estudos sobre a velhice.
        Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto responsável pelo Censo Demográfico do país, em 1970 o Brasil contava com 4,7 milhões de pessoas com mais de 60 anos (o que representava 5,05% da população total); em 1980 já eram 7,2 milhões (6,06%); em 1991, a população de idosos cresceu para 10,7 milhões (7,30%).
        No final desse século 13.914.371 idosos compõem o quadro populacional geral, ou seja, 1 em cada 18 brasileiros terá 65 anos ou mais. A projeção para o ano de 2020, quando a esperança de vida estiver alcançando 75,5 anos, a população será formada por cerca de 23,5% de jovens e 7,7% de idosos, ou seja, será composta por 16,2 milhões de idosos - 1 em cada 13 pertencerá à população idosa (Camargo, 1995; Berquó, 1996; Chamowicz, 1998). A estimativa para o ano de 2025 é de que tenhamos um aumento de cinco vezes da sua população geral e de 25 vezes da sua população idosa. Por volta de 2080 a proporção de jovens e idosos deverá se estabilizar, com respectivamente 20% e 15% do total (Camarano, 1988).
        Em menos de 20 anos o Brasil passou de 16o para 10o lugar entre os países de maior população idosa do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que em 25 anos chegaremos a ter 15% de idosos da população total, como já é possível verificar nos países da Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e no Japão, nos quais o envelhecimento populacional seguiu um lento processo em virtude da cobertura dos sistemas de proteção social e melhoria das condições de habitação, alimentação e trabalho. (Kalache, 1991; Veras, 1991). A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que o Brasil, em poucas décadas (por volta do ano 2020), tende a ser o país mais envelhecido da América Latina e, ainda, o 6o país mais idoso do mundo, com 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Vale ainda ressaltar que o envelhecimento populacional brasileiro tem discrepâncias numéricas quando se analisa esse contingente por Estado, como demonstra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios em 1998 - Microdados (IBGE, 1999). O Estado de São Paulo consta hoje com 3.342.152 milhões de pessoas com mais de 60 anos e Minas Gerais com 1.563.984 milhões de idosos ganhando, inclusive, do Estado do Rio de Janeiro com 1.528.492.
        Observa-se que essa realidade mineira está representada pela realidade uberlandense, na qual o fenômeno da longevidade também se confirma. A população de Uberlândia é de 500 mil habitantes. Em 1996 o município contava com 32 mil idosos (acima de 60 anos), segundo pesquisa realizada pela Universidade Federal de Uberlândia. Para o ano de 2003 estima-se uma população idosa próxima a 43 mil.
        Esse crescimento da população idosa e o aumento da longevidade vêm acarretando importantes repercussões nos campos social e econômico, bem como cultural e educacional do município, não fugindo, portanto, à tendência geral em todo o país. Nessa perspectiva, pode-se dizer que o contingente idoso na realidade mineira caracteriza, comporta e retrata, em termos quantitativos, a realidade brasileira.
        Felizmente, está aos pouco aumentando, mesmo que lentamente, a consciência crítica sobre as questões que envolvem o envelhecimento, principalmente por intermédio da Lei 8.842 que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso que abarca áreas fundamentais como saúde, previdência, educação, família, moradia, cultura, esporte e lazer.
        Entre a população de mais idade, observa-se uma crescente demanda por educação (entendida aqui como qualquer atividades que possa enriquecer ou promover maior qualidade de vida), justamente por parte dos segmentos que envelheceram a margem e ainda vêem nela um instrumento para ascensão social e de promoção de conhecimento.
        De olho nessa nova realidade, professores de Educação Física e estagiários da Universidade Federal Uberlândia desenvolvem o projeto AFRID – Atividades Físicas e Recreativas para a Terceira Idade. Este acontece tanto no Campus da Faculdade de Educação Física quanto em Instituições Asilares.
        O projeto atende, semanalmente, um total de 450 pessoas idosas, com mais de 50 anos no Campus e mais de 200 internos em abrigos situados em diferentes localidades da cidade. As atividades acontecem três vezes por semana com duração de 60 min cada sessão.
        Uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiras, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos tentam amenizar os problemas de saúde física e emocional mais comuns na velhice, pois a saúde é uma situação de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças.
        A verdade, é que, nunca se deu tanta importância à prática de atividades físicas como nas últimas décadas. Seus benefícios e efeitos positivos com relação ao bem-estar e à competência comportamental são indiscutíveis. Há evidências de que essas atividades têm implicações sobre a qualidade e a expectativa de vida. QUALIDADE DE VIDA é a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto de cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Na velhice, de forma geral, as atividades físicas, realizadas regularmente, não somente favorecem a capacidade de resistência e flexibilidade, mas também facilitam a velocidade psicomotora, a coordenação, o desempenho neuropsicológico, o controle postural, além de proporcionar a socialização e a sensação de bem-estar.
        Dessa forma, a Universidade, através de seus projetos extensionistas e de prestação de serviços, acaba cumprindo um papel primordial para a melhoria da qualidade de vida desses sujeitos quanto ao que se refere a formação de profissionais competentes para atuarem tanto no campo da geriatria, como da gerontologia, e, ao mesmo tempo incentivar estudos e pesquisas sobre o envelhecimento humano.
        Busca-se, através de diferentes modalidades físicas e recreativas proporcionar momentos de descontração, interação entre grupos, desinibição, socialização entre pares. As atividades tendem ser interessantes, desafiantes e levam a novas descobertas. Os idosos passam a apresentar atitudes positivas perante a vida, a ter mais confiança, maior auto-estima e uma vida mais saudável, com uma sensação de bem-estar pelos benefícios proporcionados pelas experiências corporais.